Resenha Crítica: SOB PRESSÃO

Venho aqui abrir mais uma exceção para falar sobre esse fenômeno chamado Sob Pressão, coprodução da Rede Globo e Conspiração, que chegou ao fim de sua terceira temporada na última quinta-feira 25/07/2019.


A série, que teve seu surgimento a partir do filme Sob Pressão (2016) - baseado no livro escrito pelo Dr. Marcio Maranhão, retrata o dia-a-dia de uma equipe que trabalha na emergência de um hospital público no subúrbio do Rio de Janeiro e enfrenta, além das fortes emoções proporcionadas pela emergência hospitalar, a falta de medicamentos, leitos e equipamentos para realização do trabalho.

A obra apresentou três temporadas exibidas entre 2017 e 2019 e, em seu decorrer, nos trouxe a história de dois médicos mais do que comprometidos com a profissão, Evandro e Carolina que tiveram de lidar com a vida conjugal e os dilemas da profissão, tudo isso, muito bem forrado em um cenário triste e real da situação precária da saúde publica Brasileira.

Temas de grande relevância foram tratados em seu decorrer, tais como abuso infantil, dependência química, auto mutilação, violência contra a mulher, tráfico de drogas, imprudências de transito, obesidade, doação de órgãos e de sangue, a questão da milicia, invasão de locais irregulares, corrupção, doenças sexualmente transmissíveis, transsexualidade, fora questões mais especificas que ocorrem no país, como foi o caso da greve dos caminhoneiros e até mesmo a violência nas escolas. 
E aí estava um dos grandes trunfos da série, pois, com muita delicadeza, instigou o telespectador a refletir e colocou em pauta na sala dos brasileiros assuntos que precisavam ser debatidos.  E o mais rico, apresentava não somente a ocorrência, mas também como ela reflete em outros departamentos da sociedade e o por quê daquilo acontecer, tornando muitas situações ainda mais humanizadas.

Os personagens complexos e com aprofundamento tiveram suas questões embasadas em uma construção que teve início em sua primeira temporada. Todas as atitudes sempre se mantiveram bem amarradas, não deixando nada escapar, principalmente aos mais atento. E foram detalhes como esses que envolveram cada vez mais o público à história. 

Com uma audiência sempre alta, sob pressão se manteve fiel ao seu propósito inicial de apresentar as dificuldades dos médios do SUS no decorrer de suas temporadas e, ao contrário do que se possa imaginar, tem folego para muitas outras. Embora tenham havido rumores de que chegaria ao fim em um de seus melhores momentos, a poucos dias (e para a alegria dos fãs e da crítica) foram confirmadas outras duas temporadas, previstas para 2021/2022. 

Apesar de seus inúmeros episódios marcantes, é difícil não destacar o trabalho realizado pela equipe no 10º episódio da terceira temporada, exibido em 26 de julho, onde todo seu transcorrer foi gravado em três longos planos sequencia, sendo um deles de aproximadamente 16 minutos, tendo as pausas apenas para os intervalos comerciais. O formato exigiu além de muita concentração e entrega da equipe, muito ensaio e revelou todo o sincronismo e talento da turma. A  técnica só tornou melhor o que tinha tudo para ser um sucesso, uma vez que literalmente levou o telespectador para dentro da situação, tornando tudo ainda mais eletrizante e deixando com o coração na mão aqueles que assistiam. 


Abro aspas para elogiar o desempenho de Julio Andrade (dr. Evandro) no referido episódio, que além de atuar ainda o dirigiu, mostrando-se um artista multi-talentos, seja na frente ou por trás das câmeras.

Todos os elogios recebidos foram mais do que justos, nada é em vão e o sucesso da produção se deve ao trabalho primoroso da equipe. Tudo foi muito bem feito, fotografia, direção, roteiro, caracterização, cenário e principalmente, atuação, dando ainda mais veracidade às situações expostas. É muito difícil imaginar outras pessoas interpretando os mesmos papéis. As escolhas foram muito assertivas, até mesmo nas participações especiais, que trouxeram grandes nomes de volta às telinhas e enriqueceu ainda mais o elenco já estrelado. E destaco aqui o trabalho desempenhado por Julio Andrade e Marjorie Estiano, que vieram numa crescente temporada a temporada e chegaram ao ápice nesta última, com atuações absurdas! Muitas vezes, ainda que sem nenhuma fala, emocionaram, seja pelo olhar, pela expressão, mas principalmente, pela força que transmitem e por acreditarem no que fazem. O que dizer da performance irretocável de Marjorie no episódio em plano sequencia!?
Não atoa é considerada por muitos, e por mim, a maior atriz de sua geração. Em uma cena digna de Hollywood, mostrou que não veio ao mundo à toa e que como ela há poucas. Singular é o adjetivo que lhe cabe.


Para finalizar, como já disse algumas vezes em minhas redes sociais, o que acho mais fascinante nisso tudo é termos uma produção desse patamar na TV aberta brasileira, com tanta gente competente envolvida e abordando com tanta consciência e qualidade um assunto sensível como é a questão da saúde pública. Sob pressão, tocou, fez pensar, rir e  por diversas vezes chorar. Foi arte no sentido mais belo da palavra e vai deixar saudade.



 


Se você, assim como eu, gosta da série, deixa seu comentário aí.
Até depois! 💛💛💛



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