Resenha: PERSUASÃO
Depois de algum tempo, trago a vocês a resenha de um super clássico da literatura inglesa.
Persuasão,
nome do último livro da renomadíssima autora Jane Austin, fora escrito em 1916,
porém teve sua publicação ocorrida apenas postumamente em 1818. O romance ambientado na Inglaterra rural do século XIX conta ao longo de suas 363 páginas a história de Anne Elliot, a segunda filha
de um arrogante baronete, que ao se apaixonar por um jovem almirante acaba
sendo persuadida por sua grande amiga e madrinha Lady Russell a desistir do rapaz por
causa de sua situação financeira. Mesmo amando o jovem, ela deixou que toda consideração que tinha pela amiga e, principalmente, sua falta de maturidade falassem mais alto.
Anos
passados, a jovem apesar de sofrer menos com a dor do rompimento, ainda nutre
grande sentimento pelo rapaz e ao descobrir que sua casa será alugada por
parentes do mesmo, vê seu coração passar por um turbilhão de sentimentos com a
possibilidade de rever o agora chamado Almirante Wentworth.
A
obra é dividida em livro I e livro II, entre eles não há grande passagem de
tempo, são apenas dias que separam os dois blocos do livro. A história toda
narra um acontecimento e é a partir dele que tudo se desenvolve, dos reencontros aos pequenos conflitos.
Sem
dúvida a obra é uma literatura mais rebuscada e por esse motivo torna-se mais
densa, porém não tive dificuldades com o ritmo da leitura, a história toda,
apesar de muito detalhada, flui bem. O que me deixou um pouco confusa no
início do livro foram os nomes dos personagens, muitas famílias são citadas
entre amigos e parentes e até que eu entendesse de quem se tratava, ficava bem
perdida. Ainda assim, não vejo essa questão como um problema para a narrativa,
pois antes da página 100 já estava bem envolvida com a história.
#AlertaSpoiler
Como a maioria dos livros de Jane, este também é cheio de criticas a sociedade da época e aos costumes por eles seguidos. Muitos
dos acontecimentos e conversas contidas, principalmente no livro I, nos ajudam
a entender um pouco mais a família Elliot, seu modo de pensar e principalmente
seus valores. Em um dos diálogos, por exemplo, uma das irmãs de Anne,
Elizabeth, se recusa a oferecer um jantar a uma família amiga para que eles não
vejam como o padrão de vida dos Elliots caiu. Acredite, nenhuma passagem ocorre
por acaso neste livro, é por meio delas que conseguimos ver a grande diferença
existente entre Anne e seus familiares.
Todos
os gestos e atitudes da moça mostram sua forte personalidade e princípios.
Existe uma passagem em especial que isso fica muito evidente, ela reencontra
uma ex-amiga do tempo da escola que está em situação lastimável e prefere visita-la a se encontrar com suas primas afortunadas.
" [...] srta. Anne Elliot, que gosto extraordinário esse seu! Tudo aquilo que causa repulsa nos outros, más companhias, cômodos miseráreis, ar viciado, relações vis, tudo isso a encanta.”
Temos
ainda outros trechos que nos fazem conhecer um pouco mais sobre seu caráter e, em
vista de tudo que nos é apresentado, explicita e implicitamente, sobre a heroína
da história fica evidenciado que Anne é fiel ao que acredita e isso
mostra que no passado ela realmente só não aceitou o pedido de Frederick Wentworth porque, ainda muita jovem, fora persuadida
pelos seus a não aceita-lo, o que torna claro que, por parte da moça, a objeção não se dava por motivo do rapaz ser de uma classe inferior a sua.
Posso dizer que há uma sutileza muito grande nas conversas da Srta. Elliot e o Almirante, entretanto, conseguimos perceber que ainda existe um forte sentimento ali, seja tal sentimento um mal-entendido por resolver, mágoa ou amor.
O romance entre Anne e Frederick é abordado muito rapidamente no início da história como uma espécie de lembrança e, após o reencontro deles minha ânsia por ler o livro era grande, a cada encontro eu me perguntava: mas quando será que eles vão de fato conversar? E a verdade é que passamos o livro quase todo esperando que isso aconteça, logicamente outros episódios preenchem a história até que eles tenham de fato um diálogo sobre o passado e, ao contrário do que imaginei, após essa conversa, ainda temos algumas páginas, que também são de grande importância para a história, até que tudo se resolvam.
O romance entre Anne e Frederick é abordado muito rapidamente no início da história como uma espécie de lembrança e, após o reencontro deles minha ânsia por ler o livro era grande, a cada encontro eu me perguntava: mas quando será que eles vão de fato conversar? E a verdade é que passamos o livro quase todo esperando que isso aconteça, logicamente outros episódios preenchem a história até que eles tenham de fato um diálogo sobre o passado e, ao contrário do que imaginei, após essa conversa, ainda temos algumas páginas, que também são de grande importância para a história, até que tudo se resolvam.
Na totalidade, posso dizer que gostei e muito do livro, apesar de não ser minha obra preferida da autora, poucos pontos me deixaram insatisfeita, talvez o que mais me incomodou foi a quantidade de detalhes contido em toda a narração e a falta de acontecimentos impactantes. Como citei, há pouca coisa sobre o romance do casal protagonista por exemplo, já os passeios e bailes são muito bem abordados. Longe de mim querer dar "pitaco" em uma história de Austen, no entanto, como leitora, seria muito mais agradável ao meu gosto conhecer um pouco mais sobre o passado de Anne...
Outrossim, considero Persuasão uma ótima pedida e super aconselho a leitura para os que ainda não a conhecem.
Observação:
Livro publicado pela editora Zahar, 2016, texto
integral, edição bolso de luxo.
Devo ressaltar que esta é mais uma publicação muito bem trabalhada pela editora, apesar de não tão completa quanto a versão comentada, a edição de bolso tem uma bela capa e é rica no acabamento.


Maravilhosa!!
ResponderExcluirAmei
ResponderExcluirOrgulho de vc! garotinha,!
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