Resenha: A ÚLTIMA CARTA DE AMOR

Esses dias, enquanto passava pelas postagens do feed do Instagram, vi a notícia de que o livro "A última carta de amor", escrito por Jojo Moyes, vai virar filme na plataforma de streaming Netflix e, enquanto esperamos sua produção, revolvi resenhar essa história para vocês.

O livro que foi lançado em 2012 no Brasil, conta a história de duas protagonista que, como já se tornou um clássico da autora, apesar de terem vivido suas histórias de amor em períodos distintos tem suas vidas entrelaçadas, dessa vez, por meio de cartas.

               

A narrativa, que é dividida em três partes, nos apresenta logo no prólogo Ellie, uma colunista que vive um momento no mínimo turbulento em sua vida. Namorando um homem casado, a jovem precisa apresentar uma boa matéria para garantir seu emprego e é durante uma busca nos arquivos do jornal em que trabalha que ela encontra uma carta que além de instiga-la a descobrir seu desfecho, lhe dá a oportunidade de uma ótima matéria.
Nesse ponto somos levados a 1960, com Jennifer, uma mulher modelo da época, casada com um figurão da sociedade Londrina. Ela, que sofreu um acidente que a fez perder parte da memória, se vê em uma vida invejada pelos que a cercam, mas sentindo que no fundo algo está incompleto e, até uma boa parte da história, não sabe bem o que é.

O leitor fica até pelo menos metade do livre tão perdido quanto as protagonistas, nós vamos entendendo melhor tudo que aconteceu a medida que Ellie vai descobrindo novas cartas e a história narrada por Jennifer começa a se interligar com os relatos escritos.

#AlertaSpoiler

Descobrir que Jennifer era apaixonado por um outro homem, que assinava as cartas como "B.", e que vivia um impasse entre viver a vida ao lado de seu grande amor ou seguir as convenções, é um ponto importante para Ellie se questionar sobre a vida que leva, as cartas se tornam para ela além da possibilidade de uma boa história para contar, uma forma de buscar respostas para a relação amorosa que ela vem vivenciando. 
A questão da traição é sem dúvidas um tema central na história, mas a abordagem é muito bem feita. Se no início você cria uma certa resistência com a colunista por ter um caso com um cara casado, no final você já está torcendo para que ela encontre a felicidade e entende que toda a questão é o amor - além de que durante toda história fica bem óbvio que seu namorado é um babaca. 

Apesar de confusa em boa parte da leitura, a obra tem aí seu ponto mais interessante, nada obvia, aos poucos vai nos envolvendo e instigando até que nos encontramos tão envolvidos com a história de Jennifer quando Ellie.

Abro um parenteses aqui para elogiar a bela capa desse livro, ouso dizer a mais linda dentre os livros da autora. As páginas indicativas dos capítulos, que trazem detalhes iguais os da capa, contam ainda com o que seriam pequenos fragmentos de cartas enviadas por casais. 

Talvez para os leitores mais apressadinhos a lentidão das descobertas seja um problema, contudo, se você, assim como eu, já se acostumou com a autora, vai notar que é quase uma marca da escritora.

Unindo o passado e o presente e fazendo paralelos com as formas escritas de comunicação dos diferentes tempos - uma vez que enquanto Jennifer e seu amado se comunicavam por cartas, Ellie usa emails e torpedos - Jojo nos encanta com desencontros,  a questão da independência feminina e um amor que resiste ao tempo, sem contar com um fato histórico que é utilizado como pano de fundo para uma maior complexidade na história de um dos casais. E claro, traz um final justo, que em nada decepciona quem chegou até ali.

E então, o que acharam? Comentem aqui... 💛

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