Precisamos falar sobre: ELAS POR ELAS
Na próxima sexta-feira, 12/04/24, chega ao fim a deliciosa releitura da clássica Elas Por Elas, originalmente escrita por Cassiano Gabus Mendes e que esteve no ar em sua versão original na Rede Globo em 1982.
A trama, que se mostrou Remake em seu sentido mais puro, estreou na faixa das 18h em setembro de 2023 com um elenco de protagonistas e coadjuvantes estreladíssimo, dentre eles: Isabel Teixeira, Thalita Carauta, karine Teles, Marcos Caruso, Lázaro Ramos, Cassio Gabus entre outras grandes estrelas e várias surpresas que foram se revelando ao longo dos capítulos.
Não sou uma grande conhecedora da história contada em 1982, mas posso dizer que a versão de 2023/2024 sofreu uma série de alterações que, como telespectadora, considero positivas e até reparadoras se comparados a versão original, que se deu em meio à ditadura militar e como várias tramas da época, sofreu alterações para se enquadrar nos moldes da sociedade.
Já que estamos iniciando com os acertos, é preciso falar sobre essa escalação genial das protagonistas da primeira e segunda fase. Na trama das 18h, não houve uma primeira fase literal, contudo, a história foi contata inicialmente por meio de muitos flashes do passado das amigas. Já vimos tantas outras vezes isso acontecer em outras histórias, mas o que chama atenção aqui é o fato de terem tido o cuidado de escalar pessoas realmente parecidas. Mesmo os menos atentos conseguiram distinguir, tanto pelo aspecto físico quanto pelo gestual e vestimenta quem representava cada uma das anfitriãs.
Se você está aqui, provavelmente assistiu a novela, então não ficarei falando sobre a trama de cada uma delas, mas vou dizer que dentre as protagonistas, destacam-se as histórias de Helena e Adriana, e, se na sua versão original a trama envolvendo a Natália e a morte do seu irmão eram muito importantes, nesta perdeu força, ainda que não propositalmente. E sobre isso, atribuo a alguns fatores:
- A demora notória que Mariana Santos teve para pegar o tom da personagem, ou pelo menos um tom que agradasse ao publico. E aqui abro um parênteses, a trama perdeu muito, pelo menos no início, com a saída da Monica Iozi do elenco. A escalada para fazer a personagem jovem era o espelho dela, e essa personagem misteriosa e tresloucada que Natália se mostrou no inicio era o perfil perfeito para Monica brilhar nas telas.
- Outro fator é a atuação duvidosa de Luan Argollo... Abster-me-ei de maiores comentários sobre. Esse não é o intuito.
Elas Por Elas veio em um período onde a grade da globo já não tem mais os mesmos níveis de audiência de anos atrás, ela inicia com um gosto amargo batendo a média de 15 pontos diários, numero baixo até mesmo para os padrões atuais. Mas aqui temos um ponto: havia um elenco forte, uma trama diferente, com protagonistas para todos os públicos, e um roteiro já conhecido. O que seria a fórmula para o sucesso pegou o publico das 18h desprevenido. Acostumados à dramas de épocas, são acometidos por uma história contemporânea e pra lá de engraçada. Os primeiros capítulos da novela tinham planos sequencia ótimos, extremamente ensaiados, dinâmicos, mas em meio a tanta coisa acontecendo, tiradas para todos os lados de vários personagens o público não embarcou.
Dias atrás, assistindo à uma entrevista, vi atores da novela dizerem que fizeram varias novelas em uma durante esses meses: comédia, drama, ação... A sensação de quem assistia foi a mesma. Se você parou de acompanhar a história no meio, já não reconhece mais muita coisa agora em sua reta final, e não sobre a trama em si, pois os dilemas eram sólidos o suficiente para percorrer sem barriga durante todos os capítulos, mas por suas características. O modo de fazer ficou diferente, e isso se refletiu em todos os núcleos. Mas, não vejo como algo negativo, afinal, essa é a vantagem da obra aberta, está sujeita à adaptação e, para a sorte de Elas Por Elas, o público comprou muito todas as mudanças feitas. O capítulo 100, muito divulgado na emissora, marcou não só as viradas de chaves do que foi a primeira versão para o que passaria a ser a atual, como também dá um gás necessário para a reta final da novela.
Particularmente, eu gostava bastante do tom histriônico inicial da Helena (de Isabel Teixeira), vários níveis acima; do Jonas (de Mateus Solano) numa vibe tiozão acomodado que faz exercício físico no meio da sala enquanto filho e esposa discutiam e até mesmo do drama cômico da Adriana (a querida Thalita Carauta), que mesmo nas cenas mais sérias me fazia rir nos primeiros capítulos. Acontece que, aparentemente, não era aquilo que o público esperava...
Felizmente, em meio as mudanças no roteiro, todos (ou quase isso) encontraram um caminho, Thalita que no início, ainda que muito boa, não me lembrava a grandiosa atriz que interpretou Mauritânia (Todas as flores) vem com uma potência enorme do meio pro final. Isabel que deixou ao longo dos capítulos o "modo surtada on" de lado, vem voltando com ele nessa reta final genialmente (e quem ganha somos nós. ATRIZ, DE ENXER OS OLHOS!). O único que foi de encontro com essa osmose de atuações brilhantes e não conseguiu ME agradar com as mudanças, foi o Mateus. Ele perdeu o lado cômico e ganhou um drama que nunca me convenceu nos papeis que já fez, e que, em alguns momentos, faziam-me querer "desver" uma cena...Pois em meio a tantas reviravoltas e surpresas trazidas pelo remake de Elas Por Elas, deixei para falar no final o que de longe mais me agradou e foi uma enorme descoberta para mim: Rayssa Bratillieri e Filipe Bragança. Desconhecia os trabalhos anteriores de ambos, mas se teve algo que me fez querer dar qualquer atenção no início dessa exibição de elas por elas foi a chamada encantadora do casal.
Quem me conhece sabe que sou dada a clichês, na realidade, quanto mais clichê, melhor. Mas aqui algo chamou minha atenção: dois desconhecidos do grande público ganhando uma chamada de 1 minuto e meio antes da estreia para apresentar uma história que nem era a principal da novela. Manobra arriscada, principalmente tomando por base a versão original, em que eles nem juntos ficam. Alguma coisa muito especial viria aí. E quem apostou não errou!
No inicio, assim como aconteceu com os demais personagens, o tom era um pouco acima do esperado, o que obviamente desagradou muita gente; mas química, isso tinha pra dar e vender. Os primeiros capítulos foram tomados pela história deles, mal dando lugar às protagonistas. E tudo só melhorou com os ajustes feitos no decorrer dos capítulos - ponto para os escritores e atores! Pudemos ver cena a cena os dois ganhando ainda mais importância e aparecendo como os bons atores que de fato são, numa cumplicidade que transbordou nas câmeras.
Toda essa atenção ficou mais que evidente quando a virada do capitulo 100 permeava na relação deles e o grande plot da semana final da novela também gira em torno da história que foi armada para os pombinhos durante os últimos meses.
Tivemos cenas potentes deles ao lado de Marcos Caruso e Isabel Teixeira, ouso dizer que as mais importantes para a trama do ultimo mês de exibição contaram com eles. Das tramas que foram ao ar no último ano, não vi casal que tenha causado maior movimentação nas redes sociais.
Filipe vem de outra emissora, já Rayssa, é fruto de uma das ultimas temporadas de malhação, assim, fica aí a reflexão do quanto as novas gerações perdem sem a grande vitrine que era Malhação para novos atores...
Para não perder o gancho do casal, trago aqui outro tópico nota 10 da novela: sua trilha sonora! Há tempos não via uma trilha tão bem usada na grade da globo. Músicas marcantes, que ao tocar já tínhamos certeza de quem iria aparecer. Isso faz muita falta nas novelas de hoje... Além disso, um trabalho de sonoplastia muito bem feito. Sabe aquela coisa de hora certa? "Angels like you", música que marcou a trajetória de Isis e Giovanni na novela, não foi usada de forma errada uma única vez! E não só esta, a música que embalava os casais Lara (Débora Secco) e Mário Fofoca (Lázaro Ramos), e Adriana e Jonas só faziam as cenas ganharem.
Elas Por Elas teve, de modo geral, um numero interessante de artistas no elenco jovem. Dentre rostinhos não tão conhecidos e os dois já citados, assistimos a talentosa Valentina Herszage, que vem embarcando um papel após o outro na rede globo, e teve papel de destaque durante boa parte da história, mas perdeu força na reta final, o que não apaga sua capacidade de fazer uma "detestável" aprendiz de vilã!
Elas Por Elas teve, de modo geral, um numero interessante de artistas no elenco jovem. Dentre rostinhos não tão conhecidos e os dois já citados, assistimos a talentosa Valentina Herszage, que vem embarcando um papel após o outro na rede globo, e teve papel de destaque durante boa parte da história, mas perdeu força na reta final, o que não apaga sua capacidade de fazer uma "detestável" aprendiz de vilã!
Se eu puder destacar pontos que me incomodaram mais profundamente na telenovela, eu levantaria a pauta direção. Noto ser uma tendência geral das produções atuais - e chamo de novela tiktok - o fato de já não se fazerem mais cenas longas, com grandes diálogos. Cenas importantes acabam sendo sempre cortados ou por um núcleo cômico que quebra todo o furor do telespectador, ou por picotes da própria edição. Talvez isso seja uma forma de prender o publico que não consegue ficar mais de 30 segundos num mesmo vídeo, contudo, para mim, só empobrece o trabalho, ainda mais porque notamos não ser uma questão de corte por erro, mas corte de câmera o tempo todo, não nos permitindo observar cada expressão do ator antes da câmera ir pra outro foco.
Com seus erro, mas principalmente grandes acertos, o remake finda com um saldo mais que positivo! Sucesso entre os telespectadores, crítica e com direito a reviravolta de audiência, soube explorar seu lado novelístico sem medo em tempos onde, por mais irreal que pareça, a teledramaturgia perde seu lugar de existência na televisão aberta para os moldes de série e cinema. Arriscou, recalculou rota e termina deixando saudade em quem acompanhou.
Até a próxima.

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